Centros Humanitários de Acolhimento como inovação institucional na gestão de desastres: a experiência do Rio Grande do Sul pós-enchentes de 2024
Resumo
As mudanças climáticas intensificam a frequência e a magnitude de eventos extremos, com impactos diretos sobre o território e suas populações. No Brasil, o estado do Rio Grande do Sul vivenciou, em abril e maio de 2024, a maior catástrofe climática de sua história, com enchentes que afetaram 95% dos municípios e mais de 2,4 milhões de pessoas. Este artigo analisa a organização da resposta a este episódio, com ênfase na solução adotada para abrigamento de atingidos, os Centros Humanitários de Acolhimento (CHAs), concebidos como inovação institucional na gestão da crise. A partir de relatórios oficiais, legislações estaduais e literatura científica, discute-se a experiência gaúcha em termos de governança, proteção social e resiliência climática. O estudo evidencia que os CHAs representaram uma solução transitória entre o abrigo improvisado e a moradia definitiva, garantindo acolhimento digno, serviços básicos e estratégias de saída para mais de mil pessoas, configurando-se como um modelo referencial de resposta humanitária. Conclui-se que a experiência do Rio Grande do Sul contribui para compreender os limites e as possibilidades da governança climática em contextos de desastres socioambientais.
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