Relação Entre a Fragilidade Financeira e Transparência Fiscal em Municípios Mineiros
Resumo
Este estudo teve como objetivo verificar se o Nível de Transparência Fiscal (variável dependente) é explicado pelo Índice de Fragilidade Financeira Aplicado ao Setor Público (IFFSP), Gasto com Pessoal e Investimentos (variáveis independentes). O IFFSP foi criado por Ferrari Filho, Terra e Conceição (2010), a partir da Teoria de Minsky (1992). Sua aplicação resume o desempenho dos fluxos de receitas e despesas das finanças públicas. O resultado obtido possibilita classificá-las numa das três posições descritas por Minsky (Hedge, Especulativa ou Ponzi). Foram analisados os 10 municípios que apresentam os maiores Produto Interno Bruto (PIB) nas regiões geográficas intermediárias de Pouso Alegre e de Varginha, no estado de Minas Gerais. Para esta pesquisa, considerou-se o período de 2021 a 2023. Foi calculado o Nível de Transparência Fiscal de cada um dos municípios, a partir de informações dos seus respectivos portais de transparência, com base em 58 indicadores do INESC (2011). Foram realizadas análises descritivas dos dados relacionados à transparência fiscal, segregando por dimensão orçamentária e em seguida realizou-se uma regressão linear com dados em painel, com efeitos aleatórios. Os resultados sugerem que não se evidencia uma relação positiva entre o IFFSP com o Nível de Transparência Fiscal. Também não indicou uma relação significativa quanto à variável independente Gasto com Pessoal. No entanto, a variável Investimentos apresentou relação positiva com o Nível de Transparência Fiscal desses municípios. Conclui-se, portanto que, dentre as variáveis independentes deste estudo, apenas Investimentos apresenta uma relação significativa com o Nível de Transparência Fiscal dos 10 municípios com os maiores PIBs das regiões geográficas intermediárias de Pouso Alegre e de Varginha no Estado de Minas Gerais.
Referências
Argitis, G., & Nikolaidi, M. (2014). The financial fragility and the crisis of the Greek government sector. International Review of Applied Economics, 28(3), 274-292.
Argitis, G., & Nikolaidi, M. (2016). Debt crisis, fiscal austerity and the financial fragility and instability in the Greek economy.
Bahry, T. R., & Gabriel, L. F. (2010). A hipótese da instabilidade financeira e suas implicações para a ocorrência de ciclos econômicos. Revista de Economia Contemporânea, 14, 27-60.
Baldissera, J. F. (2018). Determinantes da transparência pública: um estudo em municípios brasileiros sob a ótica da teoria da escolha pública.
Brasil. (2000). Lei complementar nº 101, de 04 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Recuperado de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp101.htm
Caamaño-Alegre, J., et al. (2013). Budget transparency in local governments: an empirical analysis. Local Government Studies, 39(2), 182-207.
Campos, A. M. (1990). Accountability: quando poderemos traduzi-la para o português? Revista de Administração Pública, 24.
Can, C. K., & Canöz, I. (2020). Testing Minsky’s financial fragility hypothesis for Turkey’s public finances. Public Finance Quarterly= Pénzügyi Szemle, 65(4), 497-514.
Caríssimo, C. R., et al. (2019). Análise da Hipótese de Fragilidade Financeira Aplicada ao Setor Público por Meio de Equações Estruturais. Em Anais do XIX USP International Conference in Accounting.
Caríssimo, C. R., Aveline, C. E. S., & de Melo Carvalho, F. (2024). Serviço da dívida pública e fragilidade financeira: evidências para os estados brasileiros. Enfoque: Reflexão Contábil, 43(1), 152-166.
Coelho, M. C., da Cruz, F., & Neto, O. A. P. (2011). A informação contábil como ferramenta de auxílio no exercício do controle social. Contabilidade Vista & Revista, 22(3), 163-184.
Craig, Sr. J. D., & Kopits, Sr. G. (1998). Transparência nas operações governamentais. Fundo Monetário Internacional.
Cruz, C. F., et al. (2012). Transparência da gestão pública municipal: um estudo a partir dos portais eletrônicos dos maiores municípios brasileiros. Revista de Administração Pública, 46(1), 153-176.
De Paiva Ribeiro, C. P., & Zuccolotto, R. (2014). A face oculta do Leviatã: transparência fiscal nos municípios brasileiros e suas determinantes socioeconômicas e fiscais. Enfoque: Reflexão Contábil, 33(1), 37-52.
Dos Santos, H. G., de Magalhães Wakim, E. A., Mendonça, K. F. C., & Taveira, L. D. B. (2021). Transparência Pública Passiva: uma análise de seus determinantes no Estado de Minas Gerais. Revista Mineira de Contabilidade, 22(3), 60-71.
Fávero, L. P., & Belfiore, P. (2019). Manual de análise de dados: estatística e modelagem multivariada com Excel®, SPSS® e Stata®. Elsevier Brasil.
Ferrari-Filho, F., Terra, F. H. B., & Conceição, O. A. C. (2010). The Financial Fragility Hypothesis Applied to the Public Sector: An Analysis for Brazil’s Economy from 2000 to 2008. Journal of Post Keynesian Economics, 33(1), 151-168.
Ferrari Filho, F., & Piccolotto, V. (2018). A dívida pública do Rio Grande do Sul: uma análise sob a ótica da hipótese de fragilidade financeira de Minsky. Análise Econômica, 36(71).
Ferreira, J. C., Junior, A. E. R. S., & Sekunda, A. (2020). Análise Da Situação Fiscal Dos Estados Brasileiros À Luz Da Hipótese Da Fragilidade Financeira Minskyana. In XIV Congresso ANPCONT.
Filgueiras, F. (2011). Além da transparência: accountability e política da publicidade. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, 65-94.
Foley, D. (2003). Financial fragility in developing economies. Em A. K. Dutt & J. Ross (Eds.), Development economics and structuralist macroeconomics (pp. 157-168). Cheltenham: Edward Elgar.
Furtado Mota, B., Alves Diniz, J., & Da Costa Santos, L. (2017). A estrutura orçamentária como determinante do nível de transparência fiscal. Revista Contabilidade, Gestão e Governança, 20(2).
Gil, A. C. (2022). Como elaborar projetos de pesquisa (7ª ed.). São Paulo: Atlas. E-book. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9786559771653
Gujarati, D. N., & Porter, D. C. (2011). Econometria básica. Porto Alegre: AMGH.
Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R. L. (2009). Análise multivariada de dados. Bookman Editora.
Hausman, J. A. (1978). Specification tests in econometrics. Econometrica: Journal of the Econometric Society, 1251-1271.
Honda, Y. (1985). Testing the error components model with non-normal disturbances. The Review of Economic Studies, 52(4), 681-690.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (2024). Divisão Regional do Brasil. Recuperado de https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv100600.pdf
INESC. (2011). Transparência orçamentária nas capitais do Brasil.
Mcasp. (2023). Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público - 10ª Edição - Secretaria do Tesouro Nacional – STN.
Minsky, H P. (1986). Stabilizing an Unstable Economy. Twentieth Century Fund Report: New Heaven.
Minsky, H P. (1992). The Financial Instability Hypothesis. The Jerome Levy Economics Institute Working Paper No. 74. May.
Neto, O. A. P., et al. (2007). Publicidade e transparência das contas públicas: obrigatoriedade e abrangência desses princípios na administração pública brasileira. Contabilidade Vista & Revista, 18(1), 75-94.
Nobre, C. J. F. (2017). A condição financeira governamental e sua influência na transparência da gestão pública municipal.
Rozmainsky, I., Kovezina, Y., & Klimenko, A. (2022). An empirical application of the financial instability hypothesis based on data from the Dutch non-financial private sector. Journal of Post Keynesian Economics, 45(2), 281-300.
Sacramento, A. R. S. (2005). Contribuições da Lei de Responsabilidade Fiscal para o avanço da accountability no Brasil. Cadernos Gestão Pública e Cidadania, 10(47).
Secretaria Do Tesouro Nacional. Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro – SICONFI. 2023.
Souza, E. P., et al. (2017). Aplicação da hipótese de fragilidade financeira na economia brasileira: uma análise do problema fiscal do governo Dilma Rousseff.
Tejedo-Romero, F., & Ferraz Esteves-Araujo, J. F. (2018). Transparencia en los municipios españoles: determinantes de la divulgación de información. Convergencia, 25(78), 153-174.
Terra, F. H. B.; Ferrari Filho, F. A (2011) Hipótese de Fragilidade Financeira aplicada ao setor público: uma análise para a economia brasileira no período de 2000-2009, Revista Economia, v. 12, n. 3, p. 497-516.
Terra, F. H. B.; Ferrari Filho, F. A, (2020) Public Sector Financial Fragility Index: an analysis of the Brazilian federal government from 2000 to 2016. Journal of Post Keynesian Economics, v. 44, n. 3, p. 1-25.
Wooldridge, J. M. (2010). Econometric analysis of cross section and panel data. MIT Press.
Zuccolotto, R.; Teixeira., M. A. C. (2014). As causas da transparência fiscal: evidências nos estados brasileiros. Revista Contabilidade & Finanças, v. 25, p. 242-254.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Raquel Regina Silva, Cláudio Roberto Caríssimo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
